8 de setembro, 2021

Fumo: consumo aumenta no Brasil

Segundo uma pesquisa da Fiocruz, 34% dos fumantes brasileiros declararam ter aumentado o número de cigarros fumados durante a pandemia. Este crescimento está associado à deterioração da saúde mental dos tabagistas, com piora de quadros de depressão, ansiedade e insônia.

Isso porque, o aumento no consumo foi ainda maior entre aqueles que também afirmaram ter piora no sono (45,5%) e agravamento de sentimentos de solidão (39,6%), tristeza (46,3%) e nervosismo (43,3%). Segundo o epidemiologista Paulo Borges, um dos responsáveis pela pesquisa, ainda não é possível saber se o aumento do cigarro piorou a saúde mental dos tabagistas ou o contrário, ou seja, se a deterioração da saúde mental induziu ao aumento do consumo de cigarro por quem já fumava.

De qualquer forma, esse é um cenário muito preocupante não só porque o cigarro é um fator de risco para várias doenças, inclusive para o Covid-19. Mas, como há uma possibilidade desse hábito permanecer após a quarentena, já que a nicotina é altamente viciante, e o cigarro associado aos outros fatores que vieram com a pandemia, como o estresse, diminuição do exercício físico e ansiedade, pode elevar o número de casos de doenças crônicas, cardiovasculares e câncer e se tornar um problema de saúde grave, inclusive elevando os custos e sobrecarregando o sistema (de saúde).

Dependência pode piorar

A dependência está associada a cerca de 420 mortes diárias no Brasil e a gastos de R$ 56 bilhões em despesas médicas anuais. O consumo aumenta em 30% as chances de desenvolvimento de algum câncer, por exemplo. Atualmente, 9,8% da população brasileira se declara fumante, cerca de 20 milhões de pessoas. Ou seja: o aumento no número de cigarros pode ter atingido até sete milhões de pessoas.

Além de ser fator de risco para várias doenças coronarianas, bronquite crônica, enfisema pulmonar, doenças vasculares e estar intimamente ligado ao câncer de pulmão, o tabagismo é certamente um dos hábitos que contribui para formas mais graves de infecção por coronavírus.

Aumento no número de cigarros ilegais preocupa

Em 2000, foi sancionada a lei que proibia propagandas de cigarro no País. A mudança foi considerada um marco e, segundo a Organização Pan Americana de Saúde (Opas), responsável pela queda em mais de 30% no número de fumantes no Brasil desde então.

Na última década, no entanto, um fator adicional tem preocupado os especialistas: o crescimento do cigarro ilegal e/ou contrabandeado, que já responde por 57% do mercado nacional, segundo o Ibope. Essa fatia mais do que dobrou em oito anos: em 2011, correspondia a 28%. O País está, segundo pesquisa da Euromonitor, em primeiro lugar no mundo no consumo de cigarros ilícitos.

A população de menor escolaridade e de menor renda é a maior consumidora desse tipo de tabaco, o que aumenta as suspeitas, segundo especialistas, de que o consumo desse cigarro também teve aumento durante a pandemia, já que foi essa faixa da população quem relatou maior crescimento na quantidade de unidades fumadas.

O problema, afirmam especialistas, é que são produtos que não passam pelas normas de segurança da vigilância sanitária, nem respeitam os níveis químicos exigidos pelo Ministério da Saúde (MS). Não há como saber o que tem nesses cigarros e a qualidade dos compostos, o que representa uma ameaça ainda maior à saúde dos fumantes e ao País.

Crédito da imagem: iStock

8 set, 2021

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