O Outubro Rosa é uma campanha mundial que visa à conscientização sobre a prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama.
Estima-se que até 2025, o Brasil registre cerca de 74 mil novos casos da doença por ano, tornando-se a principal neoplasia entre as mulheres, depois do câncer de pele não melanoma.
Os dados alarmantes reforçam a necessidade de medidas preventivas, sendo a mamografia o principal método de rastreamento para o câncer de mama.
A evolução da Mamografia
Introduzida no Brasil nos anos 1970, a mamografia continua sendo o exame de escolha para detectar o câncer de mama em estágios iniciais. Apesar de ser um procedimento com mais de cinco décadas de história, a tecnologia envolvida tem evoluído constantemente.
Um marco importante foi em 2000, quando o FDA (Food and Drug Administration) dos Estados Unidos aprovou o primeiro equipamento de mamografia digital, aumentando a precisão e a qualidade das imagens obtidas.
A mamografia é o único exame aprovado mundialmente para o rastreamento do câncer de mama, sendo realizada em duas incidências: crânio caudal (de cima para baixo) e lateral. As principais lesões detectadas incluem nódulos, calcificações e assimetrias, classificadas pelo sistema BIRADS, que indica o risco de câncer.
Desde a década de 70, a mamografia tem se mostrado eficaz na redução da mortalidade, ao detectar microcalcificações e nódulos menores de 1 cm, imperceptíveis ao toque.
Diversos países, como Brasil e Canadá, recomendam o exame entre 50 e 69 anos, duas vezes por ano. A Sociedade Brasileira de Mastologia sugere a realização anual a partir dos 40 anos, com estudos mostrando uma redução da mortalidade de 15% em mulheres de 40 a 49 anos e de 30% em mulheres de 50 a 69 anos.
Novas técnicas de mamografia, como a com contraste e a tomossíntese, aumentam a precisão e a detecção de lesões menores.
A mamografia com contraste combina imagens mamográficas com comportamento vascular, semelhante à ressonância magnética. Já a tomossíntese, que captura imagens tridimensionais, melhora o diagnóstico, especialmente em mamas densas.
A ultrassonografia é um exame complementar, recomendado para investigar nódulos e guiar biópsias, sendo o principal método em mulheres jovens com nódulos mamários. No entanto, não é indicada para rastreamento de mulheres assintomáticas.
A importância do exame regular e bem-realizado
A precisão da mamografia depende de diversos fatores, como a qualidade do equipamento e a expertise dos profissionais envolvidos.
É fundamental que o exame siga os protocolos médicos estabelecidos e seja realizado periodicamente por mulheres na faixa etária de risco, geralmente a partir dos 40 anos, conforme orientações médicas.
Destacamos algumas recomendações para garantir a eficácia do exame:
Antes do exame: evitar o uso de desodorantes, cremes ou produtos nas axilas e mamas no dia do exame, pois podem interferir na qualidade das imagens.Posicionamento adequado: a mama deve ser corretamente posicionada no equipamento para garantir que todas as áreas sejam examinadas.Compressão da mama: Embora possa causar desconforto, a compressão é essencial para obter imagens nítidas.
Dados atuais do Câncer de Mama no Brasil
Segundo a Estimativa 2023 – Incidência de Câncer no Brasil, publicada pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer), o país deverá registrar cerca de 704 mil novos casos de câncer por ano entre 2023 e 2025.
O câncer de mama responde por 10,5% do total de casos, o que equivale a aproximadamente 74 mil novos diagnósticos anuais entre as mulheres.
Esses números variam significativamente conforme a região do país, com as regiões Sul e Sudeste concentrando aproximadamente 70% da incidência dos casos. Nas áreas mais desenvolvidas, o câncer colorretal também apresenta alta prevalência, enquanto nas regiões com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o câncer de colo de útero é mais comum.
Diagnóstico precoce
A mamografia é, sem dúvida, a principal aliada na detecção precoce do câncer de mama, pois permite identificar alterações no tecido mamário antes mesmo que os sintomas se manifestem.
O exame regular, combinado com o autocuidado e o acompanhamento médico, pode aumentar as chances de cura em até 95%.
Para além do exame clínico, o Outubro Rosa serve como um lembrete anual para reforçar a importância da prevenção. Campanhas de conscientização têm o papel de educar a população feminina, incentivando o diagnóstico precoce e a busca por acompanhamento médico contínuo.
O câncer de mama, apesar de ser uma das doenças mais temidas entre as mulheres, pode ser tratado de maneira eficaz quando detectado precocemente. A mamografia é uma ferramenta essencial para essa detecção, e seu aprimoramento contínuo, como a tomossíntese, aumenta as chances de identificar a doença em seus estágios iniciais.
Com o Outubro Rosa, as mulheres são encorajadas a priorizar sua saúde e a se conscientizarem da importância dos exames regulares e do acompanhamento médico.