22 de janeiro, 2021

Covid-19 e suas sequelas

Quase dez meses após o registro do primeiro caso de covid-19 no Brasil, mais de 8 milhões e 300 mil pessoas já se contaminaram com a doença no país. Cerca de 7 milhões de pacientes se recuperaram e são considerados curados, embora, muitos deles ainda tenham de conviver com sequelas deixadas pelo coronavírus no organismo.

Um estudo publicado no Journal of Internal Medicine revelou que 86% dos pacientes com casos leves de covid-19 perdem o olfato e o paladar durante a infecção pelo vírus. Ainda que os sentidos sejam recuperados em até seis meses, o levantamento apontou que cerca de 5% das pessoas seguiram com dificuldades para sentir cheiros e gostos.

“Em alguns casos, é necessário que o paciente seja submetido a tratamentos específicos como, por exemplo, treinos para que olfato e paladar voltem à normalidade. Deficiências nesses sentidos são perigosas, pois podem gerar problemas relacionados à não percepção de alimentos estragados, vazamentos de gás, dentre outras atividades tão comuns em nosso dia a dia”, explica o otorrinolaringologista Gilberto Ulson Pizarro do Hospital Paulista.

Já pacientes com quadro moderado da doença podem apresentar outros tipos de consequências, conforme explica o Dr. João Prats, infectologista da BP – Beneficência Portuguesa de São Paulo.

“Quando se fala de um quadro respiratório, as sequelas variam. Algumas são relacionadas ao pulmão, mas poucas pessoas apresentam sequelas pulmonares e problemas mais graves. Mais raramente, alguns pacientes podem ter problemas pulmonares por mais tempo, nesse caso é importante ter o acompanhamento de um pneumologista”, afirma.

“Pessoas que ficaram na UTI, tiveram sintomas graves da doença e ficaram entubadas por muito tempo podem apresentar falta de ar e fadiga por até seis meses após a alta, além de polineuropatia do doente crítico, ou seja, um quadro em que há perda da função motora e da força muscular, devido ao longo período de internação na UTI, e que pode ser revertido com boa fisioterapia, boa nutrição e reabilitação”, acrescenta Dr. João.

Também é preciso ter atenção aos aspectos psicológicos do paciente com covid-19. “Algumas pessoas ficam abaladas depois de um quadro do novo coronavírus e podem apresentar transtorno de adaptação, que afeta muito quem vive de forma independente e, por conta da doença, passa a depender de outras pessoas, abalando a parte psicológica”, salienta o infectologista.

Na Inglaterra, estudos da Universidade de Liverpool, publicados recentemente no periódico The Lancet Neurology, reuniram informações dos países onde ocorreram grandes surtos da doença, como China, Itália e Estados Unidos, e que tiveram relatos de complicações neurológicas decorrentes da covid-19. Entre elas, inflamação no cérebro, nos nervos e na medula espinhal.

“O sistema nervoso central tem uma camada de proteção, conhecida como barreira hematoencefálica, que tem o papel de bloquear a passagem de vírus e bactérias nocivas. Uma vez que essa barreira é rompida, há a necessidade de atenção e aprofundamento de estudos para mapear as consequências a curto, médio e longo prazo”, alerta o Dr. Cezar de Oliveira, neurocirurgião, especialista em coluna, que atua como chefe de equipes de neurocirurgia no Hospital Sírio-Libanês.

Vacina para todosPacientes que se recuperaram da covid-19, mas que estão acometidos por alguma das sequelas da doença – independentemente do grau de intensidade dos sintomas do coronavírus em seu organismo – deverão ser imunizados.

“Vacinação é para todos, mesmo para quem já teve a doença. Na pior das hipóteses, esse paciente vai ter um booster de anticorpos, ou seja, um aumento da imunidade por um tempo, e isso sempre vai ser bom”, conclui o Dr. João Prats.

Crédito da imagem: prostooleh – Freepik

22 jan, 2021

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