30 de abril, 2021

Dor durante o sexo não é normal

Ter uma vida sexual ativa é algo que faz bem para a saúde e para a qualidade de vida. A prática sexual libera endorfina, possibilita sensação de bem-estar e estimula a atividade cerebral ao fazer o sistema circulatório e respiratório funcionarem com mais intensidade. Isso tudo é comum e acontece no organismo de qualquer pessoa. O que não é normal durante a relação sexual é a dor, seja ela de qualquer tipo, apesar de muitas mulheres sofrerem com esse problema.

“Não é normal sentir dor. Existe uma prevalência média de cerca de 15% de mulheres que sentem dor durante o ato sexual, número que é maior quando existe algum tipo de risco, como menopausa, deficiências hormonais, devido ao pós-parto ou ao uso de medicamentos, ou doenças específicas. O problema é que muitas mulheres não buscam ajuda, e é importante que a população saiba que não é normal sentir dor no sexo e que há tratamento”, afirma a Dra. Lilian Fiorelli, médica ginecologista especialista em sexualidade feminina e uroginecologia pela USP.

Celebrado em 30 de abril, o Dia Nacional da Mulher tem como proposta debater os direitos femininos. Nesse sentido, é de grande importância que as mulheres se mostrem vigilantes sobre a própria saúde, identificando precocemente hábitos nocivos, sintomas físicos e psíquicos e aderindo a hábitos saudáveis, conforme destaca o Departamento de Ações Programáticas Estratégicas do Ministério da Saúde. O conhecimento do próprio corpo está entre os dez cuidados primordiais que toda mulher deve ter com a saúde, segundo o Ministério da Saúde.

“A dor pode estar limitando uma parte da vida da mulher relacionada ao sexo, que faz parte da saúde. E a saúde sexual é fundamental para a saúde em geral. Quando a vida sexual não está plena, isso pode afetar o relacionamento com o parceiro e a autoestima da mulher, que se sente incapaz de sentir prazer, tendo reflexos também no trabalho e em suas atitudes do dia a dia. Por isso, é importante investigar o problema, porque a sexualidade é um reflexo de coisas que acontecem ao longo da vida”, destaca a ginecologista.

Causas e caminhos para a melhoraEngana-se quem pensa que só um tipo de dor pode afetar a mulher durante o sexo. Entre os casos, o que mais prevalece é a dispareunia, de penetração ou de profundidade, que pode ser causada por diferentes fatores. A médica apresenta outras causas de dor.

“Na região da vulva pode haver algum tipo de dor, que varia desde quando há alguma lesão. Herpes e sífilis também podem causar desconforto. Outro diagnóstico diferencial de dor na vulva é a vulvodínia, uma disfunção da parte neurológica que faz a mulher sentir desconforto ao menor toque na vulva. Há também o vaginismo, uma contração muscular involuntária que ‘fecha’ a vagina no momento da penetração. Candidíase é uma condição infecciosa que pode causar fissuras na vagina, gerando ardor pós-relação sexual. Ainda nessa região, pode haver atrofia, mais comum em mulheres com deficiência de hormônios na menopausa ou no pós-parto. Próximo ao colo do útero infecções podem causar a dor no fundo, como a chamada moléstia inflamatória pélvica aguda, infecção por clamídia e gonococos, que necessita de tratamento mais precoce”, detalha.

Lesões do colo do útero, câncer do colo do útero e endometriose também causam dores no fundo da vagina. Outras dores musculares como as miofasciais, que são contraturas na região pélvica, podem afetar a mulher na relação sexual, assim como miomas, cistos de ovário acima de 4 cm e cistos de ovulação.

Para que a mulher se veja livre das dores e tenha uma vida sexual plena, há tratamento para todos os problemas. As terapias vão desde pomadas, medicamentos via oral, uso de hormônios, laser e fisioterapia do assoalho pélvico, até tratamento cirúrgico ou psicológico.

“É importante a paciente entender que a dor não é normal e que é preciso buscar a ajuda de um especialista para investigar a causa e iniciar o tratamento adequado. Esse é o caminho que a mulher deve seguir. É importante manter uma relação aberta com o médico para buscar alternativas para que todo o tratamento seja tranquilo”, destaca a especialista.

Traumas psicológicos resultantes de situações ocorridas no passado na vida sexual da mulher também podem ser fatores que desencadeiam dor durante o sexo. “Se a mulher teve uma relação sexual desfavorável, como em um abuso sexual, o simples fato de ter uma nova relação a faz lembrar, sentimentalmente, daquele fato, fazendo com que o corpo responda a esse medo, ficando tenso. Esse costuma ser um dos gatilhos para o vaginismo, em que a mulher não tem noção de estar contraindo o músculo, ocasionando dor na penetração. Casos como esse merecem atenção especial, principalmente com acompanhamento psicológico”, explica Dra. Lilian.

Crédito da imagem: Freepik

30 abr, 2021

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