30 de agosto, 2021

Esclerose Múltipla: tratamento consiste em atenuar os efeitos e desacelerar a progressão da doença

O Dia Nacional de Conscientização Sobre a Esclerose Múltipla foi instituído pela Lei nº 11.303/2.006 com o objetivo de dar maior visibilidade à doença, informar a população e alertar para a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado da enfermidade que atinge cerca de 40 mil brasileiros.

A esclerose múltipla (EM) é uma doença inflamatória que atinge o cérebro e é provocada por anticorpos que atacam estruturas do sistema nervoso central, prejudicando a função neurológica básica.

Acometendo, de uma forma geral, mais mulheres do que homens, trata-se de uma doença genética e autoimune. “Além do mais, predomina em maior grau os jovens, geralmente, no início de suas carreiras, dificultando assim toda a parte profissional da pessoa diagnosticada com EM”, explica o neurologista do Hospital Albert Sabin (HAS), Dr. Custódio Michailowsky Ribeiro.

Os principais sinais da EM são:

– Fadiga:- Parestesias (dormências ou formigamentos) e nevralgia do trigêmeo (dor ou queimação na face);- Neurite óptica (visão borrada, mancha escura no centro da visão de um olho) e diplopia (visão dupla);- Perda da força muscular, dificuldade para andar, espasmos e rigidez muscular;- Falta de coordenação dos movimentos ou para andar, tonturas e desequilíbrios;- Dificuldade de controle da bexiga ou intestino;- Problemas de memória, de atenção, do processamento de informações e alterações de humor, depressão e ansiedade.

O diagnóstico se dá através de anamnese com o médico neurologista, que solicitará exames de imagem como ressonância magnética com ênfase nas placas desmielinizantes, ou seja, na medula e/ou no cérebro onde ocorra uma inflamação na bainha de mielina dos nervos, e o estudo do líquor para constatar a presença de anticorpos causadores da enfermidade.

“Como na maioria das doenças, o diagnóstico precoce é um fator preponderante no sucesso do tratamento, pois existem medicamentos imunomoduladores que ajudam muito no recurso terapêutico”, diz o Dr. Custódio.

Embora ainda não exista cura para a EM, há tratamentos medicamentosos que buscam reduzir a atividade inflamatória e a ocorrência dos surtos ao longo dos anos, contribuindo para a diminuição do acúmulo de incapacidades durante a vida do paciente. Além do foco na doença, tratar os sintomas é muito importante para a qualidade de vida dessas pessoas. Os medicamentos utilizados, bem como todo o tratamento, devem ser indicados e acompanhados pelo médico neurologista de forma individualizada.

O principal medicamento administrado para EM é a beta interferona, que é de uso contínuo e inibidor da recorrência dessa doença, que se divide em três tipos:

– Remitente-recorrente (EMRR): caracterizada pela ocorrência dos surtos em média uma vez por ano e, geralmente, ocorre nos primeiros anos da doença com recuperação completa e sem sequelas;- Secundária progressiva (EMSP): cerca de 50% dos EMRR evolui para esse tipo, onde o paciente não se recupera de forma plena ante os surtos e acumula sequelas que vão desde a perda visual definitiva até a dificuldade para andar;- Primária progressiva (EMPP): quando ocorre o aumento constante da incapacidade e piora dos surtos.

“Existem tratamentos e medicações para todos os tipos de esclerose múltipla, contudo, o mais importante é que o paciente procure ajuda especializada ao sentir os primeiros sintomas, pois, o prognóstico depende em muito na rapidez da identificação da doença”, finaliza o neurologista do HAS.

Para manter uma boa qualidade de vida, é importante que os acometidos adquiram alguns hábitos, veja a seguir

– Embora não altere a evolução da doença, é importante manter a prática de exercícios físicos, pois eles ajudam a fortalecer os ossos, a melhorar o humor, a controlar o peso e contra sintomas como a fadiga;- Quando os movimentos estão comprometidos, a fisioterapia ajuda a reformular o ato motor, dando ênfase à contração dos músculos ainda preservados;- O tratamento fisioterápico associado a determinados remédios ajuda também a reeducar o controle dos esfíncteres (músculos que controlam a eliminação de fezes e urina);- Nas crises agudas da doença, é aconselhável que o paciente permaneça em repouso.

É sempre importante lembrar que a EM:

– Não é uma doença mental;- Não é contagiosa;- Não é suscetível de prevenção;- Não tem cura e seu tratamento consiste em atenuar os afeitos e desacelerar a progressão da doença.

Fontes: / bvsms.saude.gov.br / Hospital Albert Sabin (HAS)

Crédito da imagem: iStock

30 ago, 2021

Compartilhe

Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.