30 de novembro, 2020

Riscos da gripe durante a gravidez

Cuidados preventivos são indispensáveis para evitar o contágio pelo vírus causador da gripe durante a gestação, já que mulheres grávidas estão mais suscetíveis a sofrerem com complicações relacionadas à doença, como pneumonia, insuficiência respiratória, parto prematuro e morte

Em meio à pandemia do COVID-19, umas das grandes preocupações é com relação aos efeitos e a letalidade do coronavírus sobre os grupos de risco, como as gestantes. Mas, no caso das grávidas, a preocupação não se restringe apenas ao COVID-19, já que esse grupo é mais vulnerável a infecções no geral, como a gripe, que está relacionada a 650 mil mortes por ano, de acordo com estimativas dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (US-CDC) e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

“A contaminação pelo vírus Influenza, responsável pela gripe, é especialmente preocupante em gestantes, pois, durante a gravidez, o sistema imunológico da mulher trabalha de forma menos agressiva para evitar que o organismo reconheça o feto como um corpo estranho e o rejeite, tornando-se assim menos eficiente no combate a agentes patógenos e, consequentemente, mais vulnerável a sofrer com infecções e complicações”, alerta o Dr. Rodrigo da Rosa Filho, ginecologista obstetra especialista em reprodução humana e membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH).

A boa notícia é que, em casos de gripe em gestantes, o bebê permanece seguro no útero da mãe, já que o vírus não é capaz de atravessar a barreira placentária e, logo, não é transmitido ao feto. “No entanto, a maior preocupação nesses casos é com a saúde da mãe, já que a doença pode levar à internação hospitalar e ao surgimento de insuficiência respiratória e pneumonia, além de também aumentar o risco de parto prematuro e morte durante a gravidez”, afirma o especialista. “Além disso, apesar de não correr o risco de ser contaminado pelo vírus, o feto pode ter seu desenvolvimento prejudicado devido aos sintomas da gripe apresentados pela mãe durante a gravidez, como febre e desidratação”, completa.

Devido aos riscos, é fundamental que a mulher grávida aposte em cuidados que vão ajudar a prevenir o contágio pelo vírus Influenza. E a maneira mais eficaz de prevenção é a vacina contra gripe, que é oferecida gratuitamente em postos de saúde de todo o país.

“A vacina é perfeitamente segura para a mãe e para o bebê e pode ser tomada em qualquer estágio da gravidez sem apresentar nenhum risco. No máximo, a mulher pode apresentar dores de cabeça ou no corpo após a vacina, o que é normal”, explica o médico. Outros cuidados para prevenir a gripe durante a gravidez incluem não compartilhar utensílios pessoais, evitar aglomerações e locais fechados e higienizar as mãos com frequência.

“De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 25% das infecções respiratórias podem ser evitadas simplesmente com a higiene eficiente das mãos, já que, quando realizado corretamente com água e sabão ou álcool em gel, o hábito elimina de forma eficaz todos os tipos de microrganismos”, aconselha o Dr. Rodrigo.

Além disso, é interessante investir também em cuidados que vão ajudar a potencializar as defesas naturais do organismo, como beber bastante líquido, praticar exercícios físicos de acordo com a recomendação de seu obstetra, dormir bem e investir em uma alimentação balanceada capaz de fornecer os nutrientes essenciais para as funções orgânicas, inclusive as imunológicas “Uma alimentação equilibrada, variada, colorida, com alimentos naturais e funcionais, associada a uma hidratação adequada, certamente vai ajudar o organismo a ter respostas mais favoráveis do sistema imune”, destaca o ginecologista.

Porém, mulheres que apresentaram os sintomas da gripe, que incluem dores musculares e de cabeça, febre, cansaço, tosse, dor de garganta e falta de apetite, devem procurar seu obstetra para que a doença seja tratada antes que evolua para complicações mais graves que podem colocar a saúde da mãe e do bebê em risco.

“A gestante jamais deve se medicar por conta própria em casos de gripe, já que muitos remédios utilizados comumente no tratamento da doença, como medicamentos antigripais e descongestionantes nasais, são contraindicados para mulheres grávidas, pois podem causar queda da pressão arterial e taquicardia, com consequente interferência no fornecimento de oxigênio para o bebê. Geralmente, durante a gestação, os sintomas da gripe são tratados separadamente conforme são apresentados pela paciente, cabendo ao médico prescrever os medicamentos e cuidados adequados, que incluem repouso, alimentação balanceada e alta ingestão de líquidos”, finaliza o Dr. Rodrigo Da Rosa Filho.

Fonte: DR. RODRIGO DA ROSA FILHO, ginecologista obstetra especialista em Reprodução Humana, membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), o médico é graduado pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Especialista em reprodução humana, o médico é colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana” da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo.

Crédito da imagem: pressmaster – Freepik.com

30 nov, 2020

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